Como combinado, hoje, farei um gancho com o texto da semana passada, que tinha como tema principal a influência da mídia na sociedade, para discorrer sobre como essa influência acontece aqui no Brasil. Sendo assim, nada mais justo do que falar sobre uma das emissoras mais poderosas (e mafiosas) do mundo, que contribuiu para traçar o destino da sociedade brasileira ao longo do tempo através das mais diversas tramóias.
Primeiro, é importante falar um pouco sobre a origem da Rede Globo: voltando desde os primórdios da aventura da família Marinho, tudo começou quando o pai de Roberto Marinho fundou a rádio Globo na década de 40, deixando um certo legado para os filhos. Roberto Marinho, então, em 1965, fundou a emissora no Rio de Janeiro e de lá para cá muita coisa aconteceu no cenário político-social e o “plim plim” teve muito peso nos principais acontecimentos, dos quais alguns serão mostrados aqui.
Sem se preocupar muito com a trajetória e com a programação da emissora, que ludibria o cidadão brasileiro, porque esse não é o foco, vamos começar com o seu posicionamento em relação a ditadura militar.
Todos sabem que a Globo nunca foi de ir contra quem está ganhando e com o regime militar não foi diferente. Falar contra a ditadura era proibido e fazer parecer que o Brasil era um exemplo de país, obrigação. Muitas outras emissoras também faziam isso e algumas que ousaram fazer o contrário foram fechadas tempos depois por falta de concessões do governo. A desculpa dada hoje, depois da redemocratização, é a de que a censura causou isso, mas as atitudes tomadas pela Globo na época mostram uma posição defensora da situação vivida.
Enfim, seguindo a linha histórica, é importante ressaltar também a relação da Rede Globo com a redemocratização e os atores que subiram ao poder.
Após a morte de Tancredo Neves, como todos devem saber, subiu ao poder José Sarney. A relação José Sarney x Globo sempre foi de extrema harmonia, e é até hoje. Apoiando a subida dos civis ao poder, a Globo mostra que tem a habilidade de sempre estar do lado do governo e nunca contra, para assim realizar seu famoso jogo de interesses. Aqui vai um caso interessante: depois de Tancredo Neves assumir o poder, já se cogitava nomear Antônio Carlos Magalhães, grande amigo de Roberto Marinho, como Ministro das Comunicações. Após a morte do presidente, isso de confirmou no governo de Sarney.
A NEC Brasil era uma das principais fornecedoras de aparelhos de telecomunicações para o governo na época. Após conturbações entre a NEC japonesa (matriz) e a Brasil Invest, que era proprietária conjunta da NEC Brasil, Antônio Carlos Magalhães suspendeu as encomendas para o governo, fazendo com que a empresa afundasse junto com sua crise interna. Agora, adivinhem quem estava pronta para comprar a empresa após essa decisão do governo!? Pois é, Mário Garnero teve que vender rapidamente a Brasil Invest e a NEC Brasil para a Rede Globo. Estranhamente, a Globo rompeu suas ligações com TV Aratu (afiliada baiana), fazendo com que a emissora afundasse e se afiliou à TV Bahia, comandada por familiares e associados de Antônio Carlos Magalhães.Bom, com certeza esse não é o único caso de tramóia que envolve a política brasileira. Temos a famosa armação da Globo a para tentar barrar a vitória de Leonel Brizola contra o candidato militar, manipulando as previsões das eleições para governador do Rio de Janeiro. No entanto, tudo foi desmascarado, Brizola ganhou a eleição e, como quase nunca acontece, a Rede Globo não conseguiu o que queria.
Temos também as coberturas mal feitas das lutas sindicais, em que a palavra dos patrões foram favorecidas em detrimento das opiniões dos trabalhadores e também, talvez o caso mais conhecido de armação, o apoio evidente à candidatura de Fernando Collor de Mello, que disputava as eleições diretamente com Lula. Depois de manipular o compacto do debate, ajudando Collor a se eleger, ficou mais do que provado que o jogo de interesses da emissora tem grande influência nos acontecimentos da sociedade brasileira.
Assim, após refletir sobre esses casos, que não são todos, pode-se entender porque a rede Globo tem tanto poder de decisão no Brasil e porque, infelizmente, pode representar o 4º poder desse país.
Qualquer coisa, comentem!
Abraços
Luiz G. S. Neto
Abraços
Luiz G. S. Neto

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