sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Brasil Maior e um Corte silencioso para não acordar o Dragão



Acompanhamos desde o final de 2010 sucessivos aumentos na taxa básica de juros, a Selic, juntamente com medidas macroprudências, sobretudo relacionadas ao crédito de parcelamento, com o intuito de frear o consumo. Desse modo, a diminuição da demanda interna auxiliaria no controle da inflação.

O cenário de uma suposta nova crise econômica mundial apresentou na metade do mês de agosto sinais mais dramáticos, com fortes quedas de bolsas em todo mundo, a Bolsa de Valores de São Paulo apresentou queda próxima de 6% em um único dia. Para combater os reflexos desse agravamento da situação financeira de alguns países a equipe econômica do Banco Central do Brasil e o Ministério da Fazenda mudaram a postura adotada no começo do ano.

Como a situação do mercado externo não é animadora, uma boa alternativa utilizada pela nossa equipe econômica foi fixar os olhares novamente para o mercado interno. Logo, foi elaborado um breve programa econômico privilegiando o setor industrial, chamado de Brasil Maior. Não creio que esse programa seja o que sintetizou o jornal Folha de São Paulo ao afirmar que o governo estava tentando concertar um carro em pleno movimento. Basta dar atenção aos pronunciamentos da presidente Dilma Rousseff e do Ministro da Fazenda Guido Mantega no lançamento do programa. Em plena sintonia, os dois deixam claro que o programa funcionará para alguns testes, vendo como o mercado reage. Um programa teste pode ser o principio de uma solução. Daria até pra chamar de anedota imaginar um programa de governo no setor industrial resolver todos os problemas, sem uma eficiente reforma tributária, uma taxa de juros civilizadas e uma política cambial que não beirasse o suicídio, fatores que temos no Brasil e que falaremos com maior detalhe em outros textos.



 
A outra medida adotada pelo governo foi executada esta semana com a redução da taxa básica de juros. O percentual recuou 0,5% de 12,5 para 12%. Apesar de não significar mudanças mais dramáticas no cenário brasileiro, podemos classificar como coerente a medida do governo, já que as metas principais de inflação foram prorrogadas para 2012. Embora todos saibam que a evolução da economia brasileira está diretamente relacionada com uma diminuição considerável da Selic, em que dos principais benefícios, podemos incluir um nivelamento de condição entre os empresários estrangeiros que instalam-se no Brasil e os nossos empresários, que atualmente não tem condições humanas de competir, seria de alto risco descer o juros sem uma condição de inflação favorável.

Evidentemente, a diminuição do juro básico não acarreta diretamente no aumento da inflação, isto não é uma lei. O que foi colocado é o risco que se corre. Apesar de na economia existir testes, afinal sem eles, os economistas jamais teriam base de análise para executar medidas, não acredito que épocas de fortes agravantes financeiros estejam qualificadas para suportar testes. Nesse caso, o velho pragmatismo apresenta-se como melhor medida.

Para provar que juros básico e inflação não são grandezas proporcionais, separei uma tabela de países quanto a esses indicadores:

Nações
Taxa Básica de Juros
Percentual Inflacionário
Brasil
12%
4,90%
India
8%
11,70%
China
6,56%
5%
África do Sul
5,50%
4,50%
Austrália
4,75%
2,90%
União Européia
1,50%
1,40%
Canadá
1%
1,60%
Reino Unido
0,50%
3,30%
Estados Unidos
0,25%
1,40%
Japão
0,10%
-0,70%
MÉDIA
4%
3,60%


Os números brasileiros certamente animam investidores estrangeiros, isso não é um problema, porém, a investida estrangeira foi tamanha, que perdemos boa parte de nosso mercado.


Qualquer duvida ou sugestões escrevam nos comentários.


Um abraço, Guilherme Calil Olivetti.

3 comentários:

  1. Muito bem escrito.. parabens... muito útil a tabela que voce postou... mas queria saber de quando são os dados?
    Interessante é comparar a diferença da taxa de juros de alguns países pertencentes aos BRICS... e países desenvolvidos como Japão Estados Unidos, União Européia e Canadá...

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  2. Os dados foram retirados do site:
    http://www.brasileconomico.com.br/paginas/taxas-de-juros_81.html
    A última atualização foi feita no dia 02/09/2011, realmente vale a pena conferir e comparar.

    Muito grato pelo elogio.

    Guilherme Calil

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  3. Parabéns pelo texto, ficou muito didático. É bem legal poder ler um artigo tão bem escrito e compreensível.
    Interessante a classificação da redução da taxa básica de juros como coerente, já que esta auxilia no aquecimento do mercado como um todo, permitindo uma maior confiança e investimento no que diz respeito à economia nacional.
    Novamente, parabéns.

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