É evidente que a população dos países africanos precisa de ajuda imediata, mas há uma grande problemática que envolve as doações destinadas ao continente. Muitos especialistas pedem que o mundo pare de ajudar a África, pois nas últimas décadas a ajuda financeira se tornou dinheiro fácil na mão dos governos corruptos instalados nos países, aumentando a fortuna de seus ditadores.
Mobutu Sese Seko, ditador do Congo (antigo Zaire) entre 1965 e 1997, desviou bilhões de dólares de doações vindas do exterior para contas na Suiça, aumentando consideravelmente sua fortuna. Só para mostrar o tamanho da tirania exercida, um fato curioso aconteceu na copa de 1974; após a classificação da seleção para a copa o ditador presenteou cada jogador com uma casa e um carro, mas inconformado após duas derrotas do time na competição, ameaçou não garantir a volta da equipe para o país e a integridade física dos jogadores, caso perdessem o jogo contra o Brasil por mais de 4 a 0; o Brasil ganhou de 3.
Ainda se falará muito sobre os ditadores africanos e suas façanhas por aqui, mas em outra oportunidade.
Mobutu Sese Seko
Todavia, voltando aos desvios de doações, existem muitos outros casos de desvio que poderiam ser mostrados aqui e que inclusive foram detectados pela fiscalização internacional, mas que por questões de interesse político (e isso envolve os EUA, pra variar!) foram ignorados. As doações de comida também não ajudam na maioria das vezes, pois são mal distribuídas ou mal gerenciadas, quebrando assim a economia local.
Através dos anos, os países africanos, principalmente os da região subsaariana, vêm enfrentando dificuldades para crescer e apresentando índices de desenvolvimento econômico realmente catastróficos. Para esse quadro se reverter, simplificadamente falando, muitas barreiras e subsídios impostos pelos países ricos aos produtos africanos teriam que ser quebradas, afim de que pudessem concorrer de fato no mercado. No entanto, para se criar uma estrutura econômica forte esses países teriam que obter uma infra-estrutura que ainda não possuem, e para obtê-la precisariam de dinheiro. A partir daí poderiam entrar em cena as doações internacionais como grande ajuda, mas só se os governos tirânicos fossem extirpados do poder. Em suma, a caminhada para o desenvolvimento é longa e dividida em diversas etapas, muitas mais do que as que foram aqui apresentadas.
Assim, há muitos problemas que devem ser combatidos para que o sofrimento dos africanos acabe. Muitos países do continente possuem condições naturais incríveis para se desenvolverem, alguns com condições boas para o plantio através das plantations, mas ainda assim possuem as maiores taxas de mortalidade por causa da fome, além das mortes por falta de assistência médica. Não será somente com doações que o continente reverterá sua situação de miséria, mas sim com uma reconstrução econômica e política, que muitos ainda se recusam a apoiar.
Qualquer coisa, comentem!
Qualquer coisa, comentem!
Luiz Gonzaga dos Santos Neto


Fica aqui meu elogio ao texto, que teve uma ótima escolha de tema central e pontos-chave. Além do mais, muito bem redigido.
ResponderExcluirÉ triste ver que muitos consideram o "despejo de dinheiro" sobre quem necessita como algo construtivo. Pagar o prejuízo com dinheiro em estado bruto é muito simples pra potências que detêm as maiores economias globais.
Esperamos que, em um futuro próximo, a luta pelo bem-estar geral se coloque acima dos interesses individuais, e que a África pare de ser vista como um mero território que já se degenerou devido a monstruosa exploração desordenada, um espaço já tido como "sem salvação".
opa meu querido
ResponderExcluirvaleu ai pelo elogio!
Realmente você colocou muito bem a palavra, "despejo" de dinheiro. É isso que vem sendo feito na região e sem organização alguma para que ela possa se reconstruir. O descaso com a África é um caso sério!
Fico feliz que tenha gostado
Abraçoo
Luiz Gonzaga dos Santos Neto