terça-feira, 27 de setembro de 2011

Liquidez


No domingo 25/09, foi encerrada a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com a situação econômica global, era esperada a discussão das medidas de combate a crise, principalmente na Europa e o papel dos países e mercados emergentes com destaque para o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. 

Na mesma semana, a Bolsa de Valores de São Paulo voltou a sentir os reflexos mais dramáticos desse cenário internacional de alongada crise financeira desde 2008.

Gráfico Ibovespa – Referente a dias do mês de setembro

Fonte: Enfoque

 


Partindo de um raciocínio ingênuo, de que cada vez que o sistema financeiro consegue vencer uma crise, governos e empresas preparam-se para uma nova fase de desenvolvimento com base na não ocorrência de uma nova crise, sempre afirmando que erros e irresponsabilidades foram assimilados. A pergunta que muitos podem se fazer é o por que as crises financeiras se repetem?


Uma resposta razoável certamente irá apresentar um bom enfoque em história econômica. Muitos especialistas utilizam essa disciplina para comparar acontecimentos semelhantes e tentar achar um problema comum, o qual na teoria representaria o motivo para determinados acontecimentos.


Longe de ser especialista e, com o pouco de conhecimento adquirido nesse ano inicial de graduação, escolhi o tema da liquidez e seu papel nas crises para este texto.


Muitas crises financeiras têm o seu estopim com a chamada explosão de uma “bolha financeira” ou “bolha especulativa”. De maneira geral, é iniciado um processo em que o sujeito empresta um bem que pegou emprestado para um terceiro, logo é gerada uma espécie de crescimento virtual. A primeira crise que se tem relatos, conhecida como Febre das Tulipas, foi originada pelo motivo apresentado. Para quem tiver interesse, segue o link que conta a história. 


Vale ressaltar que a crise citada não teve alta magnitude mundial.










Esse ciclo vicioso de empréstimos origina-se com um capital ou ativo real, agora chegamos ao papel da liquidez: Empresas e pessoas que iniciam o processo devem apresentar uma sobra significativa de determinado bem para poder emprestá-lo, portanto podemos dizer que a liquidez está sendo o ponto de partida.

Analisando a dinâmica do sistema financeiro a partir do século XX, não há dúvidas de que o bem mais cobiçado nos últimos séculos é o dinheiro ou formas de fazê-lo. Quando governos e empresas prosperam economicamente criando certo excesso de liquidez, especuladores de mercado começam a agir de forma mais agressiva com o intuito de produzir mais dinheiro. Como já citado no texto 2 dessa coluna: Não cabe no mundo interesses infinitos, logo crises e desigualdades sempre irão existir.

Durante a ocorrência de uma crise, a liquidez exerce ameaça de interrupção do ciclo econômico. Enquanto as empresas liquidam seus estoques para fazer caixa, os trabalhadores gastam menos com medo do desemprego. “Quando todos estão líquidos, morrem afogados na própria liquidez, porque interromperam o circuito econômico” – professor Antonio Delfim Netto

 
Para concluir, não foi objetivo do texto atribuir à liquidez o motivo gerador das crises financeiras, somente expor seu papel nas situações apresentadas. Seria inútil, exterminar a liquidez com o argumento de não haver mais crises.

A liquidez é controlada pelos homens, sobretudo do sistema financeiro. A irresponsabilidade destes juntamente com a negligência do Estado que produzem a maioria das crises. 


Qualquer duvida ou sugestões escrevam.

Um abraço, Guilherme Calil Olivetti.

Um comentário:

  1. hoje, todo ativo vira dinheiro muito rápido e parece que isso se intensifica com o passar do tempo!

    Bom texto mlk! Parabéns
    Abraçoo

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