Conforme o texto de apresentação da coluna, me comprometi a avaliar os principais acontecimentos do cenário político-econômico nacional e internacional, enfatizando os reflexos em nosso país. Sinalizei a opção de destinar alguns textos em especial para alguns países.
Devido ao retorno de email que obtive via assessoria de imprensa do Economista e Ex - Ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto sobre a Comissão Pecora, optei por não analisar as discussões da semana passada entre Governo Federal e Estados da Federação quanto a distribuição de royalty pela exploração de petróleo, e refletir sobre o conteúdo que me foi enviado.
Não estou colocando uma “copia de tela” da resposta do email porque tenho a intenção de me exibir. Todas as colunas do Delfim Netto apresentam um email de contato. Qualquer pessoa que mandar um email normal obterá resposta.
Para finalizar essa questão, estou justificando a publicação dessa imagem pelo fato da repercussão do nosso blog ainda ser limitada. Gostaria de evitar que qualquer pessoa presuma que o responsável dessa coluna invente diálogos e conteúdos para publicar.
Retornemos ao conteúdo de economia.
O mundo ainda passa por uma fase aguda da crise financeira iniciada a partir do ano de 2007 com principal núcleo nos Estados Unidos, donos da maior economia do planeta. Em 2010 foi criado no país norte americano uma Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira. Membros do poder legislativo foram nomeados para investigar as causas da crise.
A conclusão do estudo foi muito semelhante à da comissão criada em 1932 para avaliar as causas da crise de 1929, a qual levou o nome do chefe do conselho de investigação e responsável por elaborar o relatório final, Ferdinand Pecora. Embora existam 78 anos de diferença entre os estudos, os relatórios deixam bem claros a irresponsabilidade de bancos e agentes financeiros em promover abundância de crédito barato e fraco acompanhada da negligência do governo quanto a medidas de fiscalização.
Em 1939 Ferdinand Pecora publicou um livro de memórias, Wall Street sob juramento, contando detalhes das investigações. Em uma passagem do livro, o autor afirma: "Se tivesse havido a divulgação completa de que estava sendo feito em prol destes esquemas, eles não poderiam mais ter sobrevivido à luz feroz da publicidade e da crítica. Chicana (abuso de recursos) jurídica e escuridão eram os mais vigorosos aliados do banqueiro".
Distanciando-se um pouco dos Estados Unidos e pensando nas crises financeiras. A história econômica dos séculos XX e XXI nos mostrou uma alternância de correntes ideológicas na condução das crises. Basta analisarmos, de forma geral, as justificativas que são dadas às mesmas: ou são provocadas pelos motivos citados acima, como 1929 e 2007 ou por má gestão governamental como no caso das crises das décadas de 70 e 80.
Antes de prosseguir, gostaria de fazer uma advertência: O termo crise está sendo usado para expor uma situação econômica desfavorável.
Repare que quando uma crise é provocada por má gestão do governo, ganha força o movimento ideológico liberal que defende a não intervenção do Estado na economia (lembrar do neoliberalismo dos anos 90). Caso contrário, vemos a ascensão da ideologia estatal regulatória em que não se pode permitir a liberdade dos agentes financeiros.
Basicamente, temos um ciclo vicioso no mundo político - econômico: quando os bancos quebram, os governos salvam os bancos. Quando os governos quebram, os bancos salvam os governos. De forma que esse embate ideológico não apresenta um vencedor, fica claro que o sistema econômico necessita dos dois.
Antes de ser acusado de utilizar demagogia nesse texto, considero mais graves os problemas causados pelas “patifarias” dos agentes financeiros não regulamentados de forma adequada. Uma parte da justificativa refere-se ao ponto de vista histórico, em escala global (o Brasil não é um exemplo que nos ajude nessa reflexão), crises como 1929 e 2007-2011(ainda sem final marcado) mostraram-se mais dramáticas nas suas conseqüências.
A maior parte da justificativa está relacionada com um problema existencial da economia. Enquanto a Economia Política foca seus estudos para ação dos governos em promover benefícios à população, a Análise Econômica apresenta infinitas equações para explicar o mercado as quais nada tem a ver com um mercado real. Para isso, os estudiosos criam uma realidade onde a premissa inicial é que todos são anjos. Não satisfeitos, os detentores do tal conhecimento tentam nos convencer de que a realidade criada por eles é melhor que a realidade em que vivemos.
Só para registro: Lamento pelo Prêmio Nobel da Economia ser entregue a equações matemáticas.
Qualquer dúvida ou sugestões escrevam.
Um abraço, Guilherme Calil Olivetti.
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