quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Educação sem piada

Com certeza um dos piores (senão o pior) problema que o brasileiro enfrenta é o acesso à educação de qualidade. Os problemas enfrentados  hoje no ensino básico e no ensino secundário  são realmente lamentáveis para um país que é exaltado a todo momento como “ o país do futuro” . Isso remete a uma pergunta, como já disse nessa coluna várias vezes: o país do futuro para quem?

A educação brasileira enfrenta dois problemas básicos em sua estrutura de ensino. O primeiro é a má qualidade do ensino público nas escolas; o segundo, nas  universidades públicas.  Ué? Mas onde está o erro do segundo problema? Justamente no acesso a esse tipo de ensino superior pelos jovens das camadas menos favorecidas e que frequentam a escola pública.


O cenário atual da evolução acadêmica do aluno brasileiro é o seguinte:
-  o estudante mais favorecido financeiramente, na maioria das vezes, tem acesso a um ensino básico e médio, pago e melhor e, por isso, pode disputar vagas no nível superior público.
- o estudante menos favorecido financeiramente tem acesso a um ensino básico e médio, público e pior e, por isso, quando possível, ingressa no nível superior privado, quiçá tentará disputar uma vaga de igual para igual no ensino superior público; isso, se for um aluno acima das expectativas e extremamente esforçado.
(Digo isso baseado na maioria dos casos, mas existem outros caminhos a serem seguidos)






A injustiça paira sobre os nossos olhos;  uma injustiça, causada pela péssima administração pública e dos investimentos que têm sido feitos nos últimos tempos para esse setor. A elitização do ensino escolar de qualidade brasileiro e as condições precárias do ensino público se dão, hoje, por conta de uma série de descasos das últimas gestões. Eu diria de todas.

E o professor?

Pouquíssimos jovens anseiam em serem professores no futuro. Afinal, quem quer ser tratado com descaso e ganhar um salário, no mínimo, lamentável se comparado a outros países onde a educação é levada a sério.  A desvalorização dos funcionários públicos da educação é um fato evidente e cada vez menos a pessoas desejam se tornar profissionais nessa área.


As soluções para esses problemas são claras. Basta investimento e boa vontade. No entanto, porque então o Brasil, a 6º economia do mundo, não consegue ultrapassar no ranking mundial de educação alguns de seus vizinhos latino-americanos que não podem, se quer,  pensar em se equiparar economicamente ao Gigante da América do Sul? Eu separo a resposta em três tópicos:



1º -  A elitização da educação está entranhada no pensamento brasileiro desde a colônia.
2º - Antes disso, o descaso em relação ao ensino vem “de cima”. Afinal, educação é entendimento e liberdade de pensamento, certo? O crescimento intelectual sempre foi perigoso.
3º - Educação não dá lucro eleitoral.



Percebe-se então que educação e política estão inteiramente interligados; mais do podemos perceber. Parece que enquanto os donos dos votos não deixarem que o ensino brasileiro seja digno e que o povo se esclareça em relação ao que o cerca, o governo continuará fingindo que investe e nós continuaremos acreditando que um dia ela melhorará. Temos que lembrar que educação gera independência intelectual, essa independência gera questionamento, questionamento gera desconforto para quem não pode responder e, esse desconforto, é a assinatura de um governo composto por criminosos que emburrecem a população para manterem a situação econômica e política em que vivemos.

Apenas uma comparação, mais do que conhecida por muitos, mas que vale a pena ressaltar:

A Coréia do Sul investiu em educação há 50 anos atrás, se tornou um dos países modelos de ensino para o mundo e um dos primeiros no ranking mundial de educação feito pela Unesco. O Brasil, hoje, está investindo em eventos esportivos e está na 88º posição, de 127 posições, do mesmo ranking, investindo apenas 4% do PIB em educação. Desses 4%, milhões são desviados e o resto mal distribuídos.

Podemos esperar um futuro com cidadãos informados em uma sociedade mais igualitária?


Não acreditem na valorização excessiva que estão dando para o nosso país ultimamente, a não ser que você coloque o interesse econômico à frente do ser humano.

O ensino público de qualidade e de acesso a todos virou sinônimo de impossibilidade e piada ; a estruturação hoje instalada  para a educação pública básica e secundária reflete desordem para quem aprende, para quem está de fora e para quem trabalha nesse setor. Poderá a nossa geração ver uma verdadeira revolução na sociedade brasileira, que só poderá acontecer se começada pela educação?  


Sim, basta limpar essa cultura degenerativa que carregamos nas costas e mudar de uma vez por todas a concepção de educação que o brasileiro tem.

E agora, por onde começamos?

Comentem!

Abraços

Luiz G. S. Neto

3 comentários:

  1. Educação é um investimento a longissimo prazo. Imagina quantos anos demoram para se formar uma Turma Completa (Colégio + Graduação).

    Agora eleição é de 2 em 2 ou de 4 em 4 anos. Não da voto investir em educação. Construir ponte, túnel, casa, entre outros, dão ao político aparência de que está melhorando o Estado.

    Guilherme Calil Olivetti

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  2. Lamentável!

    E tem mais, desvio na educação não dá tanto lucro quanto o desvio em obras faraônicas.
    A corrupção nos corroe enquanto sociedade.

    Luiz G. S. Neto

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  3. O engraçado é quando um aluno, por si só, estuda sozinho , corre atrás e, quando consegue almejar uma universidade pelos seus próprios méritos, o governo, a mídia, retratam aquilo como se fosse um reflexo do ensino público de qualidade

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