O Banco Central do Brasil divulgou na semana passada seu relatório trimestral de inflação. O estudo da autoridade monetária apresentou ajustes relevantes em comparação ao relatório passado. Entre as principais alterações, devemos incluir o recuo na projeção do PIB de 4,0% para 3,5% e elevação da inflação medida pelo IPCA de 5,8% para 6,4% no ano, ficando a qualquer aumento superior a 0,1% de estourar o limite máximo previsto pelo governo.
Falando brevemente sobre o PIB: O recuo de 0,5% na projeção não deve ser encarado com pessimismo. Visto o cenário econômico internacional, a estimativa nos revela que o Brasil não está blindado contra a crise, mas que possui bons instrumentos, sendo mercado interno o principal, para garantir um crescimento importante.
A inflação merece maior atenção no momento, sobretudo por estarmos muito próximos de não cumprir teto da meta proposta pelo governo de 6,5%. Recolhi alguns gráficos e tabelas apresentados no relatório para discutirmos esse tema.
Podemos dividir as principais influencias da inflação em três blocos:
Acompanhando o desenvolvimento do gráfico, a partir do segundo semestres de 2009 os índices inflacionários vem crescendo a cada ano. Podemos enfatizar o maior crescimento da China, país que consome grande volume de commodites brasileiras, o que acaba interferindo no preço do setor.
O agravamento da crise mundial no mês de agosto nos remete a uma maior contenção de gastos e, conseqüentemente no encolhimento da demanda. Portando, as cotações dos preços tendem a diminuir.
Bloco 2 – Câmbio
Nesse ano o Brasil passou por cotações do dólar bastante desconfortáveis, com a moeda brasileira valorizada frente à moeda americana, o que força nosso mercado interno a competir de forma mais agressiva com produtos importados, além de ocasionar problemas nas exportações.
A recuperação do dólar no mês de setembro é encarada por muitos agentes de mercado, como a bala que irá furar o teto da meta da inflação.
Seria muita irresponsabilidade culpar o dólar se o meta não for cumprida. Não podemos esquecer que com exceção do iene, todas as moedas do mundo se desvalorizaram frente ao dólar nos últimos meses. Não se trata de um fenômeno brasileiro. Além disso, o dólar continua sendo o refúgio mais seguro quando os riscos dos mercados internacionais aumentam, como nos últimos meses. Logo, com a transferência de capitais para os Estados Unidos a tendência é que o dólar continue se valorizando.
Taxa de juros brasileira, Selic: 12%
Bloco 3 – Inflação no setor de serviços
O ultimo fator apontado nesse texto é a inflação no setor de serviços que acaba representado um peso significativo no IPCA total. Essa inflação elevada nos preços de serviços pode ser considerada como reflexo do aquecimento um pouco elevado que a economia brasileira apresentou devido a estímulos de crédito do governo em 2008.
A equipe econômica tentou combater essa alta do preço com elevação dos juros e medidas macroprudencias de restrição ao crédito.
O que ficou provado nesse ano é que os preços do setor de serviços sofrem com um desequilíbrio “qualitativo” entre oferta e demanda. Não se trata do emprego de medidas convencionais de caráter quantitativo, do tipo: “Aumentou a inflação, sobe o juros”. É preciso entender, que a moça que era empregada doméstica trabalha hoje em um Call Center, que a menina do Call Center agora é gerente de loja. Portanto esse desequilíbrio qualitativo não se corrige com taxa de juros. Além do que, esse processo citado é irreversível.
O combate a atual alta dos preços de serviços está mais ligada com a carga tributária e os gastos do governo do que a taxa de juros.
Antes de encerrar, gostaria de ressaltar que problemas como o da inflação não foram gerados na gestão petista, nem na gestão tucana. As duas apresentaram saídas bastante significativas para resolver problemas, de forma sintética, não brincaram na economia. O problema é que a disputa por poder no Brasil não permite que se tomem medidas mais dramáticas para solucionar problemas relevantes. A manutenção do poder custa caro e o país deve se conformar com vôos de galinha.
Qualquer duvida ou sugestões escrevam.
Um abraço, Guilherme Calil Olivetti.
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