Descobri este filme quando comecei minha saga em busca de filmes que tenham Mark Ruffalo, há uns 5 anos. O primeiro filme que vi com ele e, por sinal, Sony, Warner, Fox e Sessão de Sábado me ajudaram a ver muitas mais vezes foi “De Repente 30”, com Jennifer Garner. Apesar de ser “A” definição do termo “chick flick” (a.k.a. comédia romântica cheia de clichês), vi que Ruffalo tinha mais talento escondido debaixo daquela carinha de bom moço. Eis que minha saga começa.
Deparo-me então com “Minha Vida Sem Mim”, 2003, Canadá/Espanha, da cineasta barcelonesa Isabel Coixet com produção de Pedro Almodóvar. O filme conta a história de Ann, uma moça de seus 20 e poucos anos, que é casada como único homem que ela beijou e com quem tem duas filhas. Ela trabalha limpeza noturna de uma universidade para sustentar a família já que seu marido está desempregado, e mora num trailer no quintal de sua mãe, interpretada por Deborah Harry, a mesma Debbie Harry, vocalista do Blondie.
Sua vida tem uma reviravolta quando ela descobre que está com um câncer terminal. Apesar das circunstâncias, Ann prefere lidar com a doença em silêncio, para não “aborrecer ninguém com idas ao médico”. Resolve então fazer uma lista com as coisas que deveria fazer no fim de vida para que ela não passasse em branco. Dentre os itens da lista estão coisas que muitas das pessoas que não têm câncer terminal acham “triviais”, como dizer às suas filhas o quanto as ama várias vezes ao dia, gravar mensagens de aniversário para elas até os 18 anos, fumar e beber o quanto quiser, arrumar uma nova mãe/esposa para suas filhas e marido, dormir com outro cara e fazer outro homem se apaixonar por ela. E aí que entra Lee, personagem de Mark Ruffalo.
Sua atuação é digna de ser notada e lembra a old Hollywood, quando os atores de poucas palavras não precisavam ser necessariamente bonitos para serem galãs, mas precisavam ter garbo. E suas atuações não eram fundamentadas no exagero, mas apenas no bom e velho homem clássico, como Humphrey Bogart (1899-1957).
Ann começa a definhar ao longo do filme, mas de preparar sua vida sem ela; a vemos gravando as mensagens de aniversário, fazendo as pazes com seu pai que está preso, ela é também mais tolerante com sua amargurada mãe e a incentiva a procurar um novo namorado.
Além disso, Ann ajuda a mudar a vida de outras pessoas que estavam num abismo emocional: ela desenvolve uma relação mais profunda do que havia planejado com Lee, e deixa também uma carta a ele agradecendo os momentos que passaram juntos, além de dar umas dicas para ele ser um cara melhor; e também convida para um jantar sua colega de trabalho Laurie, interpretada pro Amanda Plummer, que sofre de desordens alimentares. É pelas rebarbas que Ann consertava, sem querer, a vida dos outros.
Vale ainda destacar a personagem de Leonor Waitling, que atuou em “Fale Com Ela”, clássico de Almodóvar, que é a vizinha de Ann, a qual também se chama Ann, que vem a se tornar a nova mãe/esposa para sua família.
Altamente recomendável é apreciar “Senza Fine”, de Gino Paoli, que embala uma das cenas mais interessantes do filme: enquanto Ann está no mercado completamente despreocupada com preços, calorias e alimentos não-saudáveis, e apenas compra o que lhe dá vontade, ela começa a se dar conta que as pessoas dão muita importância para esses itens mas acabam comprando-os de qualquer jeito, e ao seu redor todos os outros clientes e os funcionários dançam ao som da música. Tudo isso foi um fluxo de consciência sobre como a vida não momento é muito importante, mas no momento seguinte é tratada com um dar de ombros. Quando a vida real continua, a música e a dança param.
Cheguei a este filme do causa de Mark Ruffalo e não saí por causa do próprio filme.
Marina C.

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